O Acidente Vascular Cerebral (AVC) voltou a ser maior causa de mortalidade no Brasil em 2022, segundo dados do Ministério da Saúde.
Os dados mostram que, no primeiro semestre deste ano, foram 56.320 vítimas fatais de AVC em todo o Brasil, número acima das mortes por infarto (52.665) e Covid-19 (48.865).
O AVC é uma condição que ocorre quando a circulação de sangue para o cérebro é interrompida de alguma forma, impedindo que o órgão obtenha nutrientes e oxigênio. Existem dois tipos de AVC:
AVC isquemico: acontece quando há a obstrução de uma artéria cerebral, que interrompe o fluxo de sangue. Geralmente é causado por tromboses ou embolias. O AVC isquêmico é o mais comum na população em geral (85% dos casos) e também entre os jovens: um estudo realizado com indivíduos de menos de 50 anos concluiu que esse tipo de acidente vascular cerebral acometeu 86% dos pacientes e era mais incidente naqueles acima de 36 anos.
AVC hemorrágico: acontece quando um vaso sanguíneo se rompe espontaneamente, causando um sangramento dentro do tecido cerebral. É o tipo de acidente vascular cerebral menos comum, mas que tende a ser mais grave.
Por mais de 30 anos, o acidente vascular cerebral foi a primeira causa de morte no país. Isso mudou a partir de 2011, quando tomou mais impulso a conscientização da população sobre os cuidados imediatos quando há AVC, houve preparação dos hospitais para o tratamento de casos de emergência. E, também, teve-se um forte apelo de conscientização sobre a prevenção do problema.
Porém, com o começo da pandemia de covid-19, os pacientes praticamente desapareceram dos hospitais e centros de prevenção, ficando mais em casa. Então, a partir do final de 2020, o número de casos de AVC aumentou muito. Os pacientes começaram a chegar em estado mais grave, mais jovens e em maior número.
O AVC passou a ser, de novo, a primeira causa de morte no país. Isso aconteceu, provavelmente, porque as pessoas ficaram mais tempo sem prevenção, mais tempo sem ir ao médico e deixaram de tomar medicamentos preventivos, o que pode ter contribuído para o aumento de casos mais graves pós-pandemia.
E mais informações preocupantes: o AVC é uma das principais causas de incapacidade em pessoas do mundo todo. Das pessoas afetadas, cerca de 70% têm algum prejuízo funcional e 30% encontram dificuldades de locomoção.
Embora as sequelas não estejam diretamente relacionadas com a idade do paciente, os jovens podem sentir mudanças mais bruscas na rotina, já que costumam ser mais ativos. Por outro lado, o organismo de uma pessoa mais nova possui capacidade de reaprender funções perdidas com mais facilidade, o que especialistas chamam de neuroplasticidade. Isso permite que jovens possam se recuperar em até 100%.
Em contrapartida, em pacientes mais velhos, as sequelas podem ser incapacitantes.
Vale lembrar que os pacientes que tiveram um AVC precisam de atendimento médico o mais rápido possível.